Por uma leitura Pós-Colonial do Festival Amazônia Mapping

Talvez, uma das primeiras impressões que se pode ter do Festival Amazônia Mapping (FAM) é do jogo material das coisas, perceber a poética que pode transformar um monumento histórico em lugar de  narrativa artística. O FAM é um evento tecnológico e artístico que ocorre na cidade de Belém (PA), ponte de diálogos  sobre as manifestações artísticas potencializadas pela relação arte-tecnologia. Nesse evento, foram feitas projeções de obras de artistas latino-americanos (fotografias, desenhos, estampas, pinturas, etc.) a partir da técnica de mapeamento de vídeo, ou video mapping¹, em monumentos históricos da cidade: no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP) e Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP). 
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Orientalismos-Ocidentalismos: Persépolis e Edward Said

Talvez hoje todos tenham algo a falar sobre a querida Marji, de como ela é interessante, de como ela nos contempla poeticamente e politicamente. Poderia ficar falando dos benefícios políticos de Marjane por horas. Não canso de elogiar Marjane Satrapi. Conheci Marjane através do youtube, futricando ¹ um filme aqui, outro acolá. Assim achei o filme Persépolis (virou filme, pois, é em primeira mão publicado em formato de História em Quadrinhos, ou Banda Desenhada, ou HQ).

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O filme se passa no momento da Revolução Iraniana de 1979 que levou o fim da monarquia pró-ocidente -comandada por Xá Mohammad Reza Pahlevi- à ascensão de uma república teocrática- comandada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.  Mostra, nesse momento histórico, a vida da autora e protagonista da obra Marjane Satrapi  no processo revolucionário de seu país. Marjane, mulher iraniana, viveu e foi educada na capital Teerã durante a revolução e teve que mudar com ela. Nesse momento, já na década de 80, uma sociedade abusivamente conservadora começa a se formar diante de preceitos religiosos islâmicos. Proibições ocorreram, ou seja, tudo que inferia o ocidente acabou sendo vedado simbolicamente (O ocidente remetia ao Xá, assim como o Xá remetia ao Irã ocidentalizado), foram proibidas vestimentas, obras cinematográficas, livros, músicas, jogos, os produtos nas prateleiras dos supermercados começavam a sumir. Com medo dos bombardeios (devido a Guerra com o Iraque no mesmo período), da repressão do regime, espionagem dos vizinhos, Marjane e sua família seguiram suas vidas esperançosos.

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A primeira postagem “on modern servitude”

A primeira postagem do blog surge de maneira consoladora. O ano de 2015 fica marcado na história socioambiental do Brasil por conta do desastre ocorrido dia 06 de novembro na cidade de Mariana  em Minas Gerais. Em resumo, ocorreu um rompimento em duas barragens da empresa de mineração Samarco e os detritos em formato de lama seguiram percorrendo os subdistritos da cidade (ex: distrito de Bento Rodrigues) destruindo casas, plantações, rios (rio do Carmo, rio Gualaxo, rio Doce).  Como afirma o Carta Capital, no Rio amargo que corre para o mar:

 “A empresa responsável pelo desastre é a Samarco, uma joint venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, que veio a público com os protocolares discursos sobre as medidas que prevenção que são tomadas, mas que há sempre elementos de imprevisibilidade, que está apoiando os desabrigados etc, etc… Tudo o que uma boa assessoria de comunicação em gestão de crises manda fazer.”

Nessa primeira escrita e em outras futuras, andarei citando, sempre que puder, um filme, documentário, exibição teatral, eventos etc. seguido de livros/leituras importantes diante do cenário , pós-colonial, pós-moderno, globalizado/mundializado em que vivemos (bem sabemos, desde os primórdios).

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